Felicidade

“Desejaria ter tido coragem de viver uma vida verdadeira para mim mesma, não a que os outros esperavam de mim”. 

Esse é um dos maiores arrependimentos de pacientes terminais, segundo o livro “Antes de Partir” da enfermeira australiana Bronnie Ware, que acompanhou a trajetória de alguns deles. Encontrei uma resenha sobre o livro no site da Folha de São Paulo. Mas me atenho não ao livro nem ao que foi dito sobre ele, mas sim ao ‘arrependimento’ em si, pois esse pensamento vem rodeando a minha vida ultimamente e com certeza está não só definindo minha personalidade como também a minha felicidade. Ao ler o livro “A Revolta de Atlas” da filósofa americana de origem russa Ayn Rand, que era defensora irredutível do chamado por ela de: egoísmo racional, eu obtive a consciência do quanto isso era importante para minha vida, o quanto eu já tinha perdido e quanto eu poderia ganhar. Além de o livro ser interessantemente bem conduzido, um romance quase um suspense, ele trás em seu contexto a defesa do que é a moral, a virtude e a felicidade.  E o que isso tem a ver com o arrependimento lá de cima? Tudo. Uma das frases com mais impacto no livro (e são várias) é:

“JURO POR MINHA VIDA E POR MEU AMOR À VIDA QUE JAMAIS VIVEREI POR OUTRO HOMEM, NEM PEDIREI A OUTRO HOMEM QUE VIVA POR MIM.”

O tamanho dessa frase é gigantesco, e quando paramos pra refletir sobre ela, nos damos conta de quantas pessoas ao nosso redor (além de nós mesmos), sofrem ou são infelizes, quando sacrificam a sua vida ao tentar ajudar alguém e como esse outro pode inclusive não ser ajudado apesar do esforço da tal alma caridosa. E não digo isso somente em relação ás pessoas que carregam outras como um fardo financeiro, mas também aquelas que as carregam como fardo emocional e aprobatório. Aquelas que depositaram a sua felicidade em um amor ou um filho, ou os que seu próprio prazer está amarrado à opinião dos outros. Quantos casamentos, famílias, amizades, carreiras abaladas pela nossa incapacidade de reconhecer e fazer somente o que nos faz feliz. E isso não é ser mau, não consiste em ‘não se importar’ com a opinião do outro, você pode refletir sobre a opinião alheia, mas ela só é válida quando não fere em nenhum sentido a sua busca pela felicidade, não é viver sozinho e sim compartilhar o seu melhor, por que só o seu melhor serve ao outro e do contrário também. Não digo que é uma realização fácil mudar as premissas de nossas ações e pensamentos, pois quando nos deparamos com essa consciência de felicidade, percebemos em quantos momentos erramos tentando fazer o que seria o nosso melhor, ou ainda pior, para outra pessoa. Enfim aqui apresento um trecho do livro, por que ninguém melhor do que a própria Ayn, a mulher que foi capaz de pensar e de me apresentar esse fôlego (esse alívio que é ser feliz sem culpa), para explicar tudo isso:

“A minha moralidade, a moralidade da razão, está contida num único axioma: a existência existe – e numa única escolha: viver. O restante decorre dessas duas coisas. Para viver, o homem precisa de três coisas como valores supremos e dominadores de sua vida: razão, determinação e amor-próprio. Razão, seu único instrumento para adquirir conhecimento; determinação, sua escolha da felicidade que esse instrumento busca realizar; amor-próprio, sua certeza inabalável de que sua mente tem competência para pensar e sua pessoa merece a felicidade, ou seja, viver. Esses três valores implicam e requerem todas as virtudes do homem, e todas elas decorrem da relação entre a existência e a consciência: racionalidade, independência, integridade, honestidade, justiça, produtividade, orgulho.”

continua:

“Vocês me perguntam: que obrigação moral eu tenho para com meus semelhantes? Nenhuma, senão aquela que devo a mim mesmo, aos objetos materiais e a toda a existência: a racionalidade. Trato os homens como requerem a minha natureza e as exigências deles: por meio da razão. Não busco nem desejo nada deles senão os relacionamentos nos quais eles queiram entrar por livre e espontânea vontade. Só sei lidar com suas mentes – e assim mesmo quando isso é do meu interesse – quando eles veem que o meu interesse coincide com o deles. Quando isso não acontece, não entro em relação nenhuma. Quem discordar de mim que siga o seu caminho, que eu não me desvio do meu. Só venço por meio da lógica, e só a ela me rendo. Não abro mão da minha razão, nem lido com homens que abrem mão da sua. Nada tenho a ganhar com idiotas e covardes; não tento ganhar nada dos vícios humanos: a estupidez, a desonestidade, o medo. O único valor que os homens podem me oferecer é o produto de sua mente. Quando discordo de um homem racional, deixo que a realidade seja nosso árbitro final. Se eu estiver certo, ele aprenderá; se eu estiver errado, eu aprenderei; um de nós ganhará, porém nós dois lucraremos.”   

Talvez teríamos menos arrependimentos, ou a mesma quantidade, não sei, mas morreríamos com a absoluta certeza de que fizemos mais por nós mesmos e assim fomos mais felizes.

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